domingo, 31 de maio de 2026

frio... estático

Eu vi num instante, uma eternidade. 
O frio e o silêncio da madrugada rasgavam minha pele, meus ouvidos cansados tentavam ouvir uma respiração, mesmo que no turbilhão da tempestade em que eu estava, um único e impossível sopro de esperança.
Mãos sujas de graxa, machucadas pelo momento exato de um prazer alheio.
E se eu não puder mais te abraçar ? Você mudaria por mim um estação do ano ?
O cheiro... O olhar de um dia todo feito pelo outro... Por mim... Pela mãe... Pelo seu outro filho que nunca sorri.
O silêncio da sala na madrugada...
O calor que não existe na madrugada fria do inverno...
Seus lábios gélidos, não costurados ou colados, num luto absoluto.
Os olhos azuis vazios... Sim, isso é o que mais me dói. Pois foram a minha primeira certeza... 
Você PAI, não estava mais aqui. Então me tornei órfão.




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